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sábado, 31 de outubro de 2015

Diálogos Sobre a Religião - Ateu e Reformado debatem moral e doutrina da salvação

O seguinte diálogo é inspirado em várias conversas que tivemos ou debates que vimos. Não se dirige a nenhum de nossos amigos e colegas ateus em particular, mas aos que têm esses argumentos e que, inclusive, já usaram contra nós. Foram vários. Então, não se sinta, caso você se lembre de termos conversado algumas partes desse diálogo, como se estivesse recebendo uma indireta. As mesmas coisas foram conversadas com outras pessoas.
Outra ressalva importante é explicar a preferência por ‘REFORMADO’ ao invés de cristão’. Na verdade não pretendemos fazer grandes explicações aqui, pois já a começamos noutro artigo[1]. Em suma, estamos usando o termo na presunção de que a fé reformada é a autêntica e mais exata representação da fé bíblica. Mas é claro que os argumentos – a maioria, pelo menos, senão todos – aqui esboçados poderia ser usado por outros seguimentos cristãos.



Numa situação qualquer em que um bom cristão, de confissão reformada, se encontra com um amigo ateu e, por qualquer motivo que levaria a uma discussão sobre religião - e eles existem aos montes - começa-se a seguinte discussão:

ATEU - Sabe, meu amigo, há algo que realmente me incomoda nos religiosos...
REFORMADO - Puxa, eu não responderia pelos 'religiosos', mas, tudo bem, diga-me o que é...
ATEU - Eles se acham melhores do que as demais pessoas por serem religiosas, mas na verdade o fato de serem religiosas as fazem, na verdade, piores...
REFORMADO - Como assim? Refere-te a questões históricas?
ATEU - Não, não! Bom, o que eu quero dizer é que, eu, como ateu, sou melhor do que vocês quando faço algo de bom.
REFORMADO - Sério? Como assim?
ATEU - Quando vocês fazem algo de bom o fazem porque querem ir para o céu. Com todo respeito, mas isso é ser mercenário. Nós, ateus, fazemos o bem porque isso é o certo.
REFORMADO - Mas se alguém não quiser fazer o certo ele é mau?
ATEU - Certamente.
REFORMADO - Sob qual critério?
ATEU - oras, ele não estará fazendo o certo.
REFORMADO - E quem falou que ele deve fazer?
ATEU - Mas o que é isso? Está pensando como se fosse um ateu!
REFORMADO - Estou pensando como um ateu mesmo, para mostrar que sua visão de mundo não comporta essas suas afirmações.
ATEU - Então, quer dizer que só quem é crente pode ser bom?
REFORMADO - Bom, 'ser bom' é um conceito difícil. É claro que você pode fazer algo bom. Ninguém duvida disso. Ainda assim teríamos que investigar suas intenções...
ATEU - Justamente! As intenções é que estão em questão...
REFORMADO - Por que alguém deveria fazer o que é certo?
ATEU - Oras, há várias teorias para isso. Gosto bastante daquelas que dizem que devemos fazer o bem para transformar o mundo num lugar melhor...
REFORMADO - Então, no final, é para você mesmo se beneficiar?
ATEU - Não, não. Fazemos porque queremos fazer o bem.
REFORMADO - E se alguém não quiser?
ATEU - Ela estará se prejudicando.
REFORMADO - Sempre?
ATEU - Acho que sim.
REFORMADO - Parece que você está flertando com a ideia de contrato-social, não?
ATEU - Bom, em certa medida, sim, é uma boa justificativa para a ação moral. É racional. Mas esse não é o ponto. Eu faço o bem porque quero e não por qualquer outro interesse.
REFORMADO - Justamente, não é o ponto. O ponto é que vocês não poderiam dizer que alguém que é poderoso o suficiente para ficar impune e que consiga sobreviver por seus poderes tenha que se submeter às regras da sociedade.
ATEU - Claro que tem!
REFORMADO - Por quê?
ATEU - Bom... Ele ficará bem consigo mesmo...
REFORMADO - Então é, novamente, de egoísmo que te acuso.
ATEU - Tudo bem, que seja, qual o problema disso?
REFORMADO - Ser egoísta não é ser mau?
ATEU - Com quais fundamentos afirma isso? Acho que não há problemas ser egoísta...
REFORMADO - Assim como o poderoso impune não vê problemas em fazer as coisas terríveis que faz... A questão é justamente essa. Você move-se sem padrão algum.
ATEU - Movo-me sob o padrão da utilidade!
REFORMADO - E como impedirá o poderoso? 

ATEU - Quer dizer, então, que é correto fazer o bem só para ir para o céu? Ou deixar de fazer o que é mau para não ir para o inferno?
REFORMADO - Bom, em certo sentido, não há problema algum em perseguir o céu...
ATEU - Como não?!
REFORMADO - Pois veja. Existem recompensas naturais e legítimas para um ato, ao passo que existem as contingentes e ilegítimas...
ATEU - Certo.
REFORMADO - Enriquecer-se não é uma recompensa para o amor e se alguém se casa com alguém para enriquecer-se a consideraríamos um mercenário.
ATEU - Sem dúvidas!
REFORMADO - Mas o casamento não é uma recompensa merecida para o amor?
ATEU - Bom, sim... mas...
REFORMADO - Percebo que tal argumento não pareceu convencê-lo, não é mesmo?
ATEU - Não... Bom, veja, é um bom argumento... mas...
REFORMADO - Permita-me completar o raciocínio.
ATEU - Vá em frente.
REFORMADO - Atenta-te para isso. Acreditamos que dentre os anseios e desejos do nosso coração, de nossa alma, está aquele de contemplação da mais pura beleza e do mais sumo bem: Deus. Fomos feitos para adorá-lo. Quando nos convertemos passamos a mirá-lo no horizonte de nossa jornada...
ATEU - Mas o que isso tem que ver com fazer o bem para ir para o céu?
REFORMADO - Aí é que está a grande questão! A fé bíblica é um pouco diferente daquilo que você deve ter ouvido como cristianismo...
ATEU - Como assim?
REFORMADO - Há uma resposta bíblica que muda a perspectiva sobre esse assunto. Paulo, por exemplo, ensina claramente que não iremos para o céu por sermos bonzinhos...
ATEU - Então não importa o que façamos, iremos para o céu?
REFORMADO - Não é isso que estou falando.
ATEU - Ah, então te interrompi. Agora acho que as coisas estão ficando ruins para você... Vou deixar que se enforque. Continue.
REFORMADO - Veremos... Prossigamos. Eu dizia que não é o fato de sermos bonzinhos justamente pelo fato de não podermos ser bonzinhos o suficiente para ir finalmente ser salvo da Ira final de Deus.
ATEU - Ira de Deus? Que conceito antiquado!
REFORMADO - Bom, vamos discutir esse conceito. Mas você não pode continuar me interrompendo, pois levanta uma infinidade de questões às quais não terminei de responder.
ATEU - É que parece que está enrolando...
REFORMADO - Oras, mas de onde tirou que as respostas têm que ser tão rápidas assim?
ATEU- Tudo bem, vá lá, estou tumultuando. Prossiga. É que esse papo de Bíblia me dá náuseas...
REFORMADO - Eu sei que dá. Também tenho imenso desgosto com vários de teus posicionamentos. Mas isso não me impede de discutir contigo, não é mesmo?
ATEU - Mas a maioria dos crentes não é assim...
REFORMADO - Pior para eles. E, por favor, é melhor me identificar como um cristão reformado do que com um 'mero crente', pois o termo já está bem desgastado por essas terras...
ATEU - Como assim?
REFORMADO - Esqueça! Depois conversaremos sobre isso. Por enquanto fiquemos com o assunto soteriológico.
ATEU - 'Soterio' o que?
REFORMADO - Sobre a doutrina bíblica da salvação.
ATEU - Perfeitamente. Siga adiante.
REFORMADO - Bom, eu dizia que não podemos ser bons o suficiente para ir para o céu. Vamos colocar como 'ir para o céu', embora esse conceito também tenha que ser trabalhado.
ATEU - Tudo bem. É o suficiente. Mas, o que quer dizer com 'ser bom o suficiente'? Quanto é o suficiente?
REFORMADO - Ser perfeito.
ATEU - Oras, mas isso é impossível! Deus não poderia exigir uma coisa dessas... isso o torna mau!
REFORMADO - Pelo contrário, meu caro, se ele não exigir algo nesse nível é que ele seria mau. Aliás, isso já irá abarcar aquele assunto sobre a Ira de Deus que falávamos...
ATEU - Meu amigo, isso está muito estranho. Como é que um ser que se Ira e que exige que sejamos perfeitos pode ser bom?
REFORMADO - Verás que concordas comigo. Um ser que é absolutamente bom, justo e santo poderia permitir que o mal fique impune?
ATEU - Como assim? Ele não é misericordioso? Ser misericordioso[2] não é um dos frutos do seu amor, como vocês pregam?
REFORMADO - É mais uma das confusões que vocês fazem, rejeitando um espantalho ao invés da fé cristã.
ATEU - Pois, então, por obséquio, esclareça-me essa questão.
REFORMADO - Com enorme prazer! É bem verdade que Deus é amor e isso o torna misericordioso. Mas para exercer essa misericórdia ele não pode ir contra seus demais atributos. Ele não pode ser mau para ser misericordioso.
ATEU - Hum... acho que começo a compreender. Mas como ele pode ser misericordioso?
REFORMADO - Bom, firmemos, primeiro, que ele é Todo-Bom, correto?
ATEU - Certo. Esse é, pelo menos, o conceito cristão a respeito de Deus.
REFORMADO - Que seja. Acreditamos que toda injustiça e mal cometidos impunemente durante a história da humanidade será, finalmente, julgado no dia do Juízo Final. E lá, pois, Deus não poderá deixar-nos impunes por nossos erros.
ATEU - Tudo bem, vamos ver até onde esse raciocínio dá. Mas já parece estar me enrolando nesse papo de teólogo...
REFORMADO - Ha-ha-ha! Ok, mas vou continuar no papo de teólogo...
ATEU - Siga.
REFORMADO - Bom, uma vez que não podemos, pois, ser bons o suficiente, procuramos uma justiça que não vem de nós. É aí que entra nossa gratidão por Jesus Cristo.
ATEU - Ei! Está me evangelizando?! Queres que eu me torne cristão?
REFORMADO - Oxalá se você se torna-se cristão! É meu desejo declarado desde sempre. Mas, agora, estou expondo minha fé que, em termos filosóficos, é uma exposição da minha cosmovisão no campo da ética e no 'teleológico'.
ATEU - Tudo bem, ouvirei mais um pouco porque você é um cara legal e estudado. No meio de toda essa bobeira deve ter algum conceito interessante...
REFORMADO - ... Bom, vamos lá. Cristo. Ele vai para a cruz para antecipar as punições que teríamos que pagar no Juízo Final, que são, na verdade, altas demais!
ATEU - Hum... certo. Mas aí eu tenho outro problema. Então alguém que é um crápula durante toda a sua vida pode, no final, se arrepender e ir para o céu?
REFORMADO - Sim, mas...
ATEU - Isso é injusto! Deus estaria sendo mau até mesmo sob teus padrões, amigo! Onde está sua ira? O que esse 'malandro-aposentado' perdeu?
REFORMADO - Aí é que está, meu bom amigo! Você não está olhando para o todo. Para começo de conversa, esse homem terá uma grande dor em sua alma pelo que fez. Mesmo que saiba estar perdoado por Deus, sofrerá com as dores na alma pelo resto de sua vida, até que renasça e todas as lágrimas sejam enxugadas.
ATEU - Isso não basta!
REFORMADO - Não mesmo. Você está coberto de razão. É preciso um castigo severo para os seus crimes. Certamente muito mais severo do que nós, com nossas percepções morais míopes, podemos conceber.
ATEU - Claro! Mas, espere, aonde quer chegar? Purgatório?
REFORMADO - Não, não. É certo que não. Essa não é uma doutrina bíblica...
ATEU - Ah, verdade, você não é católico, não é...
REFORMADO - Isso. Reformado. Não se lembra?
ATEU - Ok, mas, e então? Deve esse homem fazer coisas boas para pagar pelas más?
REFORMADO - Que ele deve fazer coisas boas isso não há dúvidas. Que ele deve tentar reparar os erros que cometeu, também não discordo. Mas que as coisas boas cobrem as ruins não há qualquer fundamento bíblico.
ATEU - Não?
REFORMADO - Não. O mau demanda punição e o bem recompensas. Mas a recompensa do bem não é a retirada da punição. Esse conceito é estranho à ontologia moral bíblica. E, instintivamente sabemos disso!
ATEU - Interessante... Mas, o elucide esse 'instintivamente' para mim. Não estou certo de que concordo com isso.
REFORMADO - Bom, embora nosso senso moral possa estar embotado em grande medida, nas faltas mais graves conseguimos perceber com maior clareza o que estou dizendo. Se alguém estuprasse tua mãe, irmã, esposa ou filha você ficaria indignado. Algo muito ruim foi feito. Você sabe que isso demanda punição. Se o estuprador tornar-se um monge não irá satisfazer tua demanda por justiça...
ATEU - É verdade... Mas, então, não estou te entendendo! Esse cara pode ser salvo ou não?
REFORMADO - O que eu disse que foge da sua perspectiva é que há uma punição infinitamente mais severa do que poderíamos imaginar: o próprio Deus resolve encarnar-se, tornar-se homem para sofrer pelos homens.
ATEU - Então o flagelo divino recai sobre Cristo?
REFORMADO - Justamente. E, não, não é um mero flagelo, mas toda a Ira final de Deus contra o pecado! É algo terrível. Muito pior quando consideramos a natureza de quem padece do furor divino: Cristo, o homem-Deus, totalmente santo e justo.
ATEU - Mas não foi injusto que alguém tão bom assim sofresse as injustiças dos outros?
REFORMADO - Certamente seria injusto se ele fosse obrigado a fazer isso. Mas ele voluntariamente resolveu sofrer por nós.
ATEU - Ok, caro amigo reformado. Isso parece fazer sentido. Mas e quanto à questão inicial?
REFORMADO - Bem lembrado! Bom, como eu falava, nós, os autênticos cristãos, definidos assim segundo a própria Bíblia, não fazemos o bem para ir para o céu. Nós já temos por garantido o céu. Nós fazemos o que é certo justamente por sermos cidadãos celestes por antecipação...
ATEU - Como assim? Como é que têm essa certeza? 
REFORMADO - É preciso crer em Cristo...
ATEU - Como assim? É só dizer que se acredita e fim? É como um passe órfico para ser dito no dia do Juízo Final?
REFORMADO - Não mesmo, meu amigo. Jesus disse que naquele dia alguns iriam regozijar-se na sua vinda, mas ele lhes dirá: eu não conheço vocês!
ATEU - Uau! Que pesado...
REFORMADO - Certamente, terrível! Mas na mesma passagem em que isso é dito se diz que Jesus os rejeitará porque, embora o tenham como salvador, não o têm, de fato, como 'Senhor'. Isto é, eles se submetem a Cristo enquanto aquele que os livrará da ira vindoura. Mas não o reconhecem como Senhor e Deus.
ATEU - Então é preciso acreditar que ele é Salvador, Senhor e Deus?
REFORMADO - Basicamente sim.
ATEU - Ok, se eu disser que acredito nisso, então estou garantido?
REFORMADO - Não, não. Isso é uma confissão do fundo do coração.
ATEU - Que, no caso, só Deus vê... Então um crápula, um facínora, pode, no fundo, acreditar nisso...
REFORMADO - Não, cara, você está entendendo errado, mais uma vez...
ATEU - Oras, o que me falta entender?
REFORMADO - Bom, na verdade falta-te muita coisa no que diz respeito à fé cristã, mas para nossos propósitos é importante que compreenda a dinâmica da fé.
ATEU - Ok, termina de explicar isso que tenho que ir.
REFORMADO - Pois bem, fechemos, pois, nisso.
ATEU - Não que tenhas me convencido a tornar-me um cristão. Só está me explicando melhor teu ponto de vista...
REFORMADO - Bom, é uma pena que não, mas, seja como for, exponho-te o que não é meu, mas do próprio Deus conforme ele revelou.
ATEU - Segundo tu crês...
REFORMADO - Pois bem, terminemos... ou então levantaremos outra discussão!
ATEU - Ha-ha-ha. É verdade. Termina-me de explicar, então, como a Bíblia resolve essa questão.
REFORMADO - Pois bem, crer em Cristo significa acreditar em tudo que as Escrituras dizem sobre ele. Isso implica em acreditar na dignidade de sua pessoa, na nossa culpabilidade, e no grande favor feito por Deus na Cruz. Não é possível observar a tudo isso de forma apática. Quem não tiver sua consciência afetada por isso é por não acreditar que Jesus e realmente Deus, e que na cruz ele padeceu infinita dor que cabia a nós por nossos erros. Só aí já se demanda, a partir da crença, um tipo de atitude diferente.
ATEU - Então quem acredita no Jesus da Bíblia...
REFORMADO - Que é o Jesus da História!
ATEU - Tudo bem, mas eu usei 'da Bíblia' para diferenciar dos conceitos errados que as pessoas têm sobre Jesus, conforme você disse.
REFORMADO - Ah, perfeito! Ótimo, perdão. Continue.
ATEU - Bom, então, como eu estava falando, quem acreditar nesse Jesus também terá acreditado que seus erros são tão maus que fizeram com que Jesus tenha morrido.
REFORMADO - Perfeitamente! Mas, como se isso não bastasse, e o pecado (o erro moral) seja um ultraje ao sacrifício de Cristo, reconhece-se, com a divindade de Cristo, que ele é, portanto, Senhor. Isso quer dizer que devemos lhe obedecer se de fato acreditamos em Jesus. E não só isso, como acreditar que sua vontade é boa, perfeita e agradável mesmo quando não a compreendemos como possuindo esses atributos, de modo a sempre buscar obedecê-lo.
ATEU - Bom, então se alguém diz que acredita em Jesus Cristo, mas não tem uma vida correta, então não é cristão coisíssima nenhuma!
REFORMADO - Exatamente.
ATEU - Então muitos cristãos não irão para o céu.
REFORMADO - É o que o próprio Cristo disse copiosamente.
ATEU - Bom, mas isso me faz pensar numa série de outras questões... infelizmente não há mais tempo para mim. Vou seguindo adiante. Foi bom conversar com você! Qualquer dia voltaremos para esses assuntos de teologia e Bíblia. São até interessantes. Quem me dera se todos os cristãos pensassem como você...
REFORMADO - Vá lá, meu amigo. Até a próxima.

 PS: As duas imagens no decorrer do texto foram tiradas do facebook da ATEA, para mostrar que são ataques reais feitos à fé cristã, e não coisas da cabeça do autor do diálogo.


[1] Referimos-nos a este artigo: Afinal, quem REALMENTE são os evangélicos?
[2] Para ampliar a discussão sobre esse ponto, veja: Prolegômena à Predestinação: uma questão de justiça

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Prolegômena à Predestinação - uma questão de justiça




"Ora, a excelência, beleza e perfeição de cada ser vivo, objeto inanimado ou ação humana depende exclusivamente da utilidade para que o destinou a natureza ou o artífice" (Platão, Livro X da República).

Prolegômena é aquilo que se discute antecipadamente. É a discussão que deve ser feita - mas geralmente não o é - antes de entrarmos em outros pontos. Supostamente há pontos pacíficos quando se vai discutir vários temas. Acreditamos que aquele com quem estamos a debater assume algumas coisas que nós de antemão achamos óbvias demais para serem discutidas. No entanto, um levantamento de pressupostos que regem as colocações demonstrará que, não raro, há pontos de discordância que impediriam completamente os contendores de chegarem a um acordo.
Com esse pequeno texto, pretendemos explorar alguns itens prolegomenais em relação à discussão sobre a predestinação, eleição e afins, contidos nas doutrinas da graça* conforme expõem os teólogos protestantes reformados - os quais nos parecem mais próximos das Escrituras. Particularmente, estamos interessados em considerar o conceito de justiça que é trazido à baila nessas discussões de forma, amiúde, desorganizada e confusa. Basicamente, questiona-se se seria justo que Deus elegesse algumas pessoas para serem salvas e outras não. Nossa tese é de que é perfeitamente justo que Deus faça tal escolha.

Foi Voltaire quem observou que para discutirmos adequadamente temos que definir os nossos termos, o que já consiste, por si, em uma tarefa prolegomenal. Isso é uma forma de evitar a falácia da equivocação, que consiste em discutir com conotações distintas para um mesmo termo. É marca distinta de um bom pensador e de uma boa discussão que as coisas fiquem de antemão claras. Ao acompanharmos as discussões socráticas veremos da parte do sábio ateniense justamente o desejo de definições precisas para evitar confusão - o que, com frequência, colocava o próprio adversário em confusão, pois esse fora para a discussão sem pensar muito bem nas palavras que usava.
Queremos entender, pois, o que significa 'justiça'. Esse é o termo-chave da discussão. Acreditamos que podemos defini-la como algo nos seguintes termos: 'é ter cada um o que lhe é de direito', ou, 'cada um ter o que é adequadamente seu'. Quem já leu a República sabe como é difícil uma definição precisa, embora 'intuitivamente' arranhemos o conceito. Supomos suficiente definir tal como o fizemos.

A questão que se segue é a de saber o que é devido a cada um, ou seja, o que é de direito. O direito de algo ou alguém é determinado por seu valor ontológico, i. é., o valor intrínseco que a coisa tem segundo seu próprio ser. Entretanto, há algo assim? Valor intrínseco?
O valor de um determinado artefato criado por um homem está determinado por ele ao criar e estabelecer seu objetivo. E mesmo as coisas que ele não cria ganham seu valor segundo os fins para os quais ele percebe. Um homem pode considerar um violão extremamente valoroso na medida em que aprecia a música e, principalmente, aquela produzida pelo violão. Mas um cão ou gato não terá o mesmo apreço pelo instrumento, principalmente se não houver quem o toque - se é que animais podem verdadeiramente apreciar uma música. No máximo, servir-lhes-á para depositar alguma coisa, ou para afiar suas unhas. Portanto, percebemos que o valor das coisas é determinado de forma subjetiva. É preciso um referencial para que haja a determinação do valor.
Pois bem, temos que decidir de antemão se nosso referencial será antropocêntrico ou teocêntrico. Se tomarmos o homem como a medida de todas as coisas, teremos uma avaliação valorativa, e se tomarmos Deus, outra.
Estamos percebendo a que rumo o argumento está levando? Quem é que determina o valor do homem? Se ele é determinado pelo próprio homem, temos uma situação distinta daquela em que Deus é quem o determina. Esse é o ponto nevrálgico. Podemos falar que todas as coisas têm valor segundo o estabelece a subjetividade humana. Mas não seríamos indelicados se perguntássemos sobre o valor do próprio homem. É engraçado ver como naturalistas 'rebolam' para tentar dar algum valor distinto para um conjunto determinado de átomos dispostos de uma forma específica e não de outra. O homem não é mais do que isso nesse tipo de cosmovisão. E o valor que ele dá às coisas é relativo. E daí se as coisas têm esses valores para o homem?
Sem o homem poderíamos pensar no valor das coisas para manter o ecossistema. Mas, e daí? Por que o ecossistema deveria ser mantido? Alguém poderia responder imediatamente que seria para manter a vida na terra. Mas por que manter a vida? Ela nem mesmo é compreendida de forma 'anímica' pelo naturalista. Uma cosmovisão naturalista não pode dar um significado essencial para a realidade. Um cristão que toma o homem como referência para o valor das coisas é um incoerente que anda de mãos dadas com naturalistas. Um protestante, então, nesse caminho, chama para banquetear consigo Pelágio, João Cassiano e toda a corja que se segue.

Agora podemos rumar para a situação oposta. Deus determinando o valor das coisas. Para começar, ele está numa situação singular e muito superior à do homem para determinar o valor das coisas. Antes de mais nada, na cosmovisão cristã, ele é quem cria 'ex nihilo' tudo o que há. Cada parte do que existe além dele é engendrado, formulado, cogitado e executado por seu desejo. Portanto, o valor das coisas é definido segundo os objetivos que Deus tem para com tudo. Aí está o valor absoluto das coisas. Elas têm valor intrínseco por conta de seu lugar na criação.
Segue-se que é de direito que Deus dê ao homem o que lhe é cabível segundo o valor que Deus deu na execução de seus planos para cada coisa. Se o valor das coisas é dado por Deus, cabe a Ele dar a cada um o que bem entender segundo lhe parecer viável.

Não podemos encerrar esse artigo sem uma última formulação. Um ser racional age, na medida em que age racional e inteligentemente, com fins. Ele tem planos. Julgamos a integridade de seus planos e a competência do logos em executar seus planos. Um homem ao fazer algo tem, consciente ou inconscientemente, planos. Na medida em que ele conhece mais a si mesmo, mais consciente de seus objetivos ele está. Na medida em que é mais sábio e bom, objetivos mais nobres e sensatos ele tem, bem como os meios para alcançá-los. Apliquemos o raciocínio a Deus e teremos alguém que age com fins plenamente conscientes e estabelecidos, totalmente nobres e sensatos. Portanto, quando Deus criou cada coisa, inclusive cada homem, tinha uma pauta, um objetivo em mente.
E qual objetivo é esse? Com Charles Hodge aprendemos o que viria a ver novamente em John Piper: que Deus não pode ter outro objetivo que não ele mesmo como alvo final, último, derradeiro para as coisas. Quando ele vai criar só pode haver um objetivo sumamente nobre, santo e justo que é enaltecer aquilo que é mais santo, belo, nobre e bom: ele mesmo. Ele age, pois, em consonância com o que Paulo diz na epístola aos Romanos, para a sua glória, pois 'por ele, para ele e por meio dele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!'.
Na mesma epístola, no nono capítulo, o apóstolo Paulo diz que Deus criou os eleitos para enaltecer sua misericórdia e os ímpios para enaltecer sua santidade, justiça e severidade para com o mal, o que implica ser extremamente bom. Paul Helm, certa feita, notou que se fosse injusto que Deus não salvasse alguns homens, então salvá-los seria questão de dívida, e não de misericórdia. Deus os salva segundo seu propósito final de glorificar a si mesmo em suas várias perfeições.

Portanto, é mais do que justo, nobre e santo que Deus eleja quantos ele quiser para a sua inteira glória, bem como pretira, igualmente, a quantos lhe aprouver. Este é o soberano Deus para quem nos dobramos em reverente adoração!

____________
* Notar que não iremos discutir as demais doutrinas da graça que são indissociáveis da eleição, como justificação objetiva e subjetiva, chamado externo, regeneração, santificação, adoção, ressurreição e glorificação.


quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Sobre filosofia e ser filósofo... (Parte 2 - A Filosofia da Religião)



Uma vez estabelecido que a dúvida, oriunda do espanto, é o fundamento e a semeadora da filosofia [se ainda não leu a primeira parte, clique aqui], há ainda passos a lidar em relação à compreensão do que é a filosofia e o que é um filósofo. A resposta, pois, girará em torno de lidar com a inquietação, em encarar o deslumbramento, não raro aterrorizante, que envolve a experiência humana. E dentre as inquietações, talvez haja uma que seja a primordial. Afirmamos que se trata da questão sobre Deus e seu corolário, a religião.

Agostinho de Hipona, na provável primeira auto-biografia da história, começa, no primeiro livro de suas 'Confissões', questionando o que seria Deus: "Que és, portanto, ó meu Deus?" (Livro I, Capítulo IV). Junto a essas questões ele faz uma série de outras questões. As questões parecem remontar seus tempos de juventude e havia algum grau de não-sofisticação nelas, pois parecem refletir uma concepção filosófica equivocada não digna de um pensador dessa envergadura. Aliás, no decorrer da própria obra podemos perceber que ele mesmo toma ciência dessas questões e suas soluções. Mas é interessante que, tanto ali, antes de sua conversão, quanto após ela, continuam a surgir dúvidas sobre Deus. Não mais, necessariamente, sobre sua existência, mas sobre sua natureza e sua relação com o mundo e com os homens. Portanto, mesmo uma vez experimentado, ainda surgem questões sobre Deus, o que moveria a todos a pensar sobre o assunto. Sendo assim, Deus torna-se objeto de indagação constante e, portanto, uma 'fonte de pensamento filosófico'.
De fato, segundo Ronald Nash, realmente todos pensam sobre Deus. Ele coloca as questões sobre Deus como basilares, i. é, fundamentais para toda a compreensão de mundo. Fazem parte das questões últimas da vida que, pois, compõem o sistema de pensamento, ou seja, a cosmovisão*, E 'cosmovisão' todo mundo tem, ainda que não saiba. Sendo assim, todos pensam sobre Deus.
Pensar o que sobre Deus? Nash nos dá uma lista de perguntas que nos surgem naturalmente: "Deus existe? Qual é a natureza de Deus? Há mais de um Deus? É Deus um ser pessoal, ou seja, é ele o tipo de ser que pode conhecer, amar e agir? Ou é Deus uma força ou poder impessoal?" (NASH, p. 15). Todos nós, sendo assim, temos alguma resposta, ainda que rudimentar, à essas questões.

Mas como é próprio da maioria das pessoas, nem todas concebem respostas refletidas sobre esses temas. É próprio do filósofo lidar com as questões relacionadas à cosmovisão. Demorar-se um pouco mais nessas questões basilares. E a questão sobre Deus é primordial. Nesse sentido, Nash afirma que "O elemento crucial de qualquer cosmovisão é aquilo que ela diz ou não sobre Deus" (NASH, p. 15). Até mesmo os ateus admitem isso. Por exemplo, Lee Strobel nos conta sobre sua entrevista com Charles Templeton, que era pastor e passou a ser ateu, e a figura, ao ser questionada sobre Jesus, o julga mal pensador por não ter lidado com a questão mais importante de todas. Melhor olhar em suas próprias palavras. Em determinada parte da entrevista, Strobel pergunta: " _ E os ensinamentos dele; o senhor admirava o que ele ensinou? _ Bem, ele não era um pregador muito bom. O que ele disse era simples demais*. Ele não havia refletido sobre o que dizia. Não havia meditado sobre a maior pergunta que se pode fazer. _ Que é... _ Existe um Deus? [...]" (STROBEL, p.22).
Collin McGinn é ainda mais explícito, e afirma justamente o que estamos tentando mostrar nesse artigo: "Seria somente uma questão de fé cega ou a existência de Deus podia ser provada? E a formulação dessa pergunta rapidamente leva a toda a questão do que ´uma justificativa afinal, assim como questões sobre conhecimento, certeza, livre-arbítrio e a origem do universo. Deus pode ser ou não um filósofo, mas certamente é responsável por muita filosofia" (MCGINN, p. 20). Ou seja, a questão sobre Deus é tão fundamental que suscita reflexões em várias outras áreas e, além disso, implica em tudo o mais. Se Deus existe, e dependendo de como ele é, então a metafísica, a ética, a antropologia filosófica, a escatologia, a reflexão existencial e a própria epistemologia é concebida de forma diferente*. A questão chega ao ponto em que há autores que afirmem ser a religião a progenitora da filosofia, como Alessandro Rocha: "Sem incorrer em nenhum equívoco, podemos dizer que na origem mesmo da filosofia está a experiência tipicamente religioso do espanto acerca da realidade e do esforço por nomear suas origens" (ROCHA, p. 9).
Olavo é ainda mais ousado, e afirma que a filosofia, como inicialmente concebida nos projetos clássicos, abrangendo Sócrates, Platão e Aristóteles, implicavam na busca pelo Supremo Bem, o que seria, que seja de uma forma genérica, uma busca por Deus: "Tanto em Platão quanto em Aristóteles ou em toda a filosofia escolástica, o Supremo Bem não é um 'valor', muito menos uma 'criação cultural', mas a realidade suprema, o ens realissimum, fundamento primeiro e objeto último de todo conhecimento" (CARVALHO, p. 38).
É interessante e pertinente notarmos, agora, que os autores do famoso livro 'O Livro das Religiões', que conta com a coautoria de Jostein Gaarder, menciona as questões fundamentais, 'parteiras' da filosofia, como bases da religião. "Quem sou eu? Como foi que o mundo passou a existir? Que forças governam a história? Deus existe? O que acontece conosco quando morremos? [...] Muitas questões existenciais são bastante gerais e surgem em todas as culturas. Embora nem sempre sejam expressas de maneira tão sucinta, elas forma a base de todas as religiões" (GAARDER, HELLERN, NOTAKER, p. 11). Aqui, pois, é possível perceber como a questão sobre Deus afeta toda a reflexão dos indivíduos. A resposta irá interferir no conceito sobre o homem, a origem (ou ausência de início) do mundo, o destino do homem e assim por diante, como já observamos, alhures, em outros termos.
E é tão evidente que a questão sobre Deus influencia todos os setores, repartições, da vida, que "qualquer pergunta sobre a cultura, a política, as artes, a economia, as ideologias pode muito bem ser argumentada tomando por base a presença e a influência da religião" (ROCHA, p. 9). Gaarder, Hellern e Notaker afirmam algo muito semelhante: "Um rápido olhar para o mundo ao redor mostra que a religião desempenha um papel bastante significativo na vida social e política de todas as partes do globo. [...] É difícil adquirir uma compreensão adequada da política internacional sem que se esteja consciente do fator religião" (GAARDER, HELLERN, NOTAKER, p. 16).

Mas mesmo que não se admita a origem religiosa da reflexão filosófica, ainda sim não podemos negar que a religião, e, portanto, o assunto 'Deus', é tema constante das elucubrações dos filósofos, bem como as questões mais imediatas que daí decorrem, como a relação do homem com Deus e afins: "Dos longínquos tempos anteriores a Sócrates até os fluidos dias de nossa cultura pós-moderna, a religião nunca saiu da pauta da filosofia. Ora como rainha, ora como vassala, sempre esteve ali impondo sua desejada* ou incômoda presença" (ROCHA, p. 9).

E a questão, claro, é tão fundamental que envolve alto comprometimento psicológico, tanto para o teísta quanto para o ateísta, como demonstra muito eloquentemente R. C. Sproul: "Os dois lados do debate precisam ver que todos os envolvidos na discussão sobre a existência de Deus trazem bagagem psicológica à mesa. Aqueles que negam a Deus, por exemplo, tem um interesse enorme em sua negação porque, colocando de forma simples, se o Deus bíblico existe, então abre-se um infinito obstáculo entre eles e sua própria autonomia" (SPROUL, p. 144). Em outras palavras, quem nega a Deus tem algum interesse em fazê-lo. Se o Deus da Bíblia existe, por exemplo, então tudo deve ser revisto, inclusive como vivemos nossas vidas e haveremos de prestar contas de nossos atos e pensamentos. Para alguém envolvido, apaixonadamente, em determinado tipo de atividade, como a dissolução, vida boêmia, adultério e afins, a existência do Deus da Bíblia pode ser um enorme incômodo*. Sproul continua: "Enquanto cristãos, cada fibra de nosso ser quer que Deus exista, e cada fibra de nosso ser igualmente repele o pensamento de que a soma de todas as nossa vidas é a 'paixão inútil' de Sartre. [...] A mesma pressão psicológica para o ateu negar a existência de Deus é a do teísta para assumir sua existência. [...] Sabemos o que está em jogo se fizermos isso [cremos no Deus da Bíblia]; entendemos que estaremos em apuros se conhecermos a existência de um Deus soberano" (SPROUL, p. 144) e mais adiante um pouco: "Não podemos arriscar expor essa nudez. Não podemos estar sob a luz da revelação de Deus. Nosso ambiente de conforto é a escuridão. Preferimos a escuridão porque e oculta nossa perversidade. Então, por natureza, suprimimos a luz da revelação de Deus. Fazemos isso porque consideramos que é necessário nos proteger da dor da exposição*" (SPROUL, p. 146). Assim, ao mesmo tempo em que o teísta quer que Deus exista, o ateu quer que ele não exista. Destaque para a palavra QUER. Isso deve ser colocado à mesa caso se queira refletir sério sobre o tema. Envolve, aqui, pois, as questões existenciais, éticas e a própria orientação da cosmovisão do indivíduo*.

Se Deus e filosofia têm alguma coisa a ver? Parece-nos inseparáveis e, portanto, não nos é concebível filósofo e filosofia responsável que não considere Deus como assunto e não lhe logre devida atenção.

Parte 3

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*Se algum leitor ainda não domina o conceito de 'cosmovisão', sugerimos os artigos que escrevemos sobre, bastando a leitura da parte 1 e da parte 2:
Parte 1
Parte 2
*Caso algum leitor também pense assim podemos sugerir o magnífico artigo de Douglas Groothuis que lida justamente com o tema: http://liberdadeepensar.blogspot.com.br/2007/11/jesus-o-filsofo-e-apologista-por.html.
Peter Kreeft também tém um livro inteiro observando as habilidades filosóficas de Jesus: http://www.thomasnelson.com.br/livro/jesus-o-maior-filosofo-que-ja-existiu/ (tudo bem que foi publicado pela Thomas Nelson, e que o gênero indicado seja 'auto-ajuda' - o que é um engano -, mas é Kreeft. É bom!).
*Claro, a formulação da existência de Deus pode elevar-se a partir de um desses pontos filosóficos. Mas a questão de que há um intercâmbio entre os vários braços da filosofia ainda permanece e, uma vez decidida a questão sobre Deus, tudo o mais é também influenciado.
*Para uma lista de filósofos teístas organizados mais ou menos de forma cronológica elaboramos uma lista quando ilustrávamos o conceito de sofisma no artigo que pode ser conferido clicando aqui.
*Embora não seja tema das reflexões de agora, é bom salientar que a fé cristã não é ascetista tanto quanto o epicurismo, no que concerne à sua ética, não o é.
*Não é o que parece estar sugerido no trecho de João 3:19-21.
*Para uma abordagem um pouco mais extensa do que Sproul chama de 'Psicologia do Ateísmo', vejam: https://www.youtube.com/watch?v=HQgMoKIXV6M
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BIBLIOGRAFIA



AGOSTINHO. Confissões. Tradução de Alex Marins. São Paulo: Martin Claret, 2008, 439p.
CARVALHO, Olavo de. A Filosofia e seu Inverso: e outros estudos. Campinas: Vide Editorial, 2012, 264p.
GAARDER, Jostein; HELLERN, Victor; NOTAKER, Henry. O Livro das Religiões. Tradução de Isa Mara lando; revisao técnica e apêndice de Antônio Flávio Pierucci. São Paulo: Companhia das Letras, 2005, 335p.
MCGINN, Collin. A Construção de Um Filósofo. Tradução de Luiz Paulo Guanabara. Rio de Janeiro: Record, 2004, 268p.
NASH, Ronald H. Questões Últimas da vida: uma introdução à filosofia. Tradução de Wadislau Martins Gomes. São Paulo: Cultura Cristã, 2008. 448 p.
ROCHA, Alessandro. Introdução à Filosofia da Religião: um olhar da fé cristã sobre a relação entre a filosofia e a religião na história do pensamento ocidental. São Paulo: Editora Vida, 2010, 184p.
SPROUL, R. C. Defendendo sua Fé. Tradução de Patrícia Merlim. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, 192p.
STROBEL, Lee. Em Defesa da Fé:  jornalista ex-ateu investiga as mais contundentes objeções ao cristianismo. Tradução de Alderi S. de Matos. São Paulo: Editora Vida, 2002, 368p.